




PARA QUEM VÊ, OUVE E RESPIRA CINEMA.





Começa hoje o 61º Festival Internacional de Cannes e o Brasil marca presença na mostra competitiva com duas produções: "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas, produção genuinamente brasileira, e "Blindness" (que abre o festival), co-produção entre Brasil, Canadá e Japão, dirigida por Fernando Meirelles e baseada na obra "Ensaio Sobre a Cegueira", do vencedor do Prêmio Nobel da Literatura, José Saramago.
Quem sabe depois da consagração de "Tropa de Elite" no último Festival de Berlim o Brasil não volta a brilhar também na velha Croisette? (a última vitória do Brasil em Cannes foi em 1962 com "O Pagador de Promessas")
Dentre os concorrentes à Palma de Ouro deste ano figuram nomes de peso já consagrados em edições anteriores, como os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne ("Rosetta" e "A Criança"), Steven Soderbergh ("Sexo, Mentiras e Videotapes") e Wim Wenders ("Paris, Texas"); velhos veteranos como Clint Eastwood ("Sobre Meninos e Lobos") e Atom Egoyan ("O Doce Amanhã"), e nomes em franca ascensão como a argentina Lucrecia Martel ("A Menina Santa").
Destaque para a estréia de Charlie Kaufman - o genial roteirista de filmes como "Quero Ser John Malkovich", "Adaptação" e "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças" - como diretor, com o filme "Synecdoche New York", que integra a seleção oficial do festival.
Fora da competição serão exibidos a esperada aventura "Indiana Jones e a Caveira de Cristal", de Steven Spielberg, o documentário "Maradona", de Emir Kusturica, e "Vicky Cristine Barcelona", mais novo filme de Woody Allen, rodado na Espanha com os atores Javier Bardem, Penélope Cruz e Scarlett Johansson.
Já na Mostra "Un Certain Regard" (Um Certo Olhar), dedicada a diretores estreantes, o destaque brasileiro será "A Festa da Menina Morta", que marca a estréia do ator Matheus Nachtergaele como diretor e roteirista.
O 61º Festival Internacional de Cannes encerra no domingo, dia 25.
Confira abaixo a lista completa da mostra competitiva com links informativos:
Adoration (2008) - Atom Egoyan
Argentine, The (2008) - Steven Soderbergh
Blindness (2008) - Fernando Meirelles (I)
Changeling (2008/I) - Clint Eastwood
Delta (2008) - Kornél Mundruczó
Divo, Il (2008) - Paolo Sorrentino
Entre les murs (2008) - Laurent Cantet
Er shi si cheng ji (2008) - Zhang Ke Jia
Frontière de l'aube, La (2008) - Philippe Garrel
Gomorra (2008) - Matteo Garrone
Leonera (2008) - Pablo Trapero
Linha de Passe (2008) - Walter Salles; Daniela Thomas (I)
Mujer sin cabeza, La (2008) - Lucrecia Martel
My Magic (2008) - Eric Khoo
Palermo Shooting (2008) - Wim Wenders
Serbis (2008) - Brillante Mendoza
Silence de Lorna, Le (2008) - Jean-Pierre Dardenne; Luc Dardenne
Synecdoche, New York (2008) - Charlie Kaufman
Two Lovers (2008) - James Gray (I)
Un conte de Noël (2008) - Arnaud Desplechin
Waltz with Bashir (2008) - Ari Folman
Üç Maymun (2008) - Nuri Bilge Ceylan
Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, e a todas as mulheres, ofereço-lhes um trecho do filme "Piaf - Um Hino ao Amor" (França, 2007), cinebiografia dessa mulher extraordinária, que foi a cantora Edith Piaf, em interpretação magistral da talentosa (e agora multipremiada) atriz francesa Marion Cotillard.
Para aqueles que ainda não assistiram a esse magnífico filme - que é um verdadeiro ode ao amor, à arte e à vida - sugiro que aproveitem seu merecido retorno às telas de cinema. (O filme já se encontra disponível também nas locadoras).
Com vocês, Edith Piaf:
O Oscar do ano passado foi marcado pela expressiva participação dos hispano-descendentes, em especial os mexicanos, que dominaram as indicações, e consolidou a ascensão em Hollywood dos três amigos cineastas, compatriotas mexicanos, Alejandro González Iñárritu, Guillermo del Toro e Alfonso Cuarón, representados na noite da premiação por seus mais recentes filmes (o contundente “Babel”, o fantástico “O Labirinto do Fauno” e o virtuoso “Filhos da Esperança”, respectivamente)
A cerimônia deste ano foi ainda mais adiante e atravessou o oceano. Numa premiação que parecia preparada a meses de antecedência para consagrar uma das duplas mais criativas do cinema americano (os irreverentes irmãos Joel e Ethan Coen, do premiado “Onde os Fracos Não Têm Vez”), foram os europeus que roubaram a cena.
A noite que celebrava os 80 anos do mais famoso prêmio do cinema consagrou quatro atores nascidos fora dos Estados Unidos, um feito que não se repetia desde a cerimônia de 1965, quando os ingleses Julie Andrews, Rex Harrison e Peter Ustinov; e a russa Lila Kedrova, foram eleitos vencedores.
Dentre os eleitos deste ano, dois são ingleses: Daniel Day-Lewis (melhor ator por “Sangue Negro”) e Tilda Swinton (melhor atriz coadjuvante por “Conduta de Risco”). A francesa Marion Cotillard (“Piaf – Um Hino ao Amor”) foi a segunda atriz estrangeira a receber a estatueta por uma atuação em outro idioma que não o inglês (a primeira foi a italiana Sophia Loren, em 1962, por sua atuação em “Duas Mulheres”, de Vittorio de Sica). Já Javier Bardem entrou para a história como o primeiro ator espanhol a receber um prêmio da Academia.
Também boa parte dos prêmios técnicos foi para terras bem distantes de Hollywood. Dario Marianelli (vencedor do prêmio de melhor Trilha Sonora Original por “Desejo e Reparação”) é italiano; Didier Lavergne e Jan Archibald (melhor maquiagem por “Piaf – Um Hino ao Amor”) são franceses; Dante Ferreti (melhor direção de arte por “Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”) também é italiano; e os músicos Glen Hansard e Markéta Irglová (melhor canção pelo filme “Once”) são irlandês e tcheca, respectivamente.
Todo esse reconhecimento multinacional é reflexo de novos tempos em Hollywood, onde cada vez mais estrangeiros, dos mais diversos ramos, são requisitados para trabalhar em produções americanas e co-produções internacionais, funcionando como um sopro de renovação em face a um certo desgaste em que se encontra a milionária indústria norte-americana de cinema.
O próprio Brasil tem exportado talentos como os diretores Walter Salles (Diários de Motocicleta), Fernando Meirelles (O Jardineiro Fiel) e Carlos Saldanha (A Era do Gelo); os atores Fernanda Montenegro (O Amor nos Tempos do Cólera), Rodrigo Santoro (300) e Alice Braga (Eu Sou a Lenda); além de inúmeros técnicos como os diretores de fotografia Affonso Beato (A Rainha) e César Charlone (O Jardineiro Fiel), e o compositor de trilhas Antonio Pinto (O Amor nos Tempos do Cólera).
O fato é que o Oscar, que sempre foi tido como um prêmio do “cinemão” americano, começa a ganhar contornos de premiação internacional, dando, a cada ano que passa, maior visibilidade e projeção para artistas e produções de diversas nacionalidades.
Resta saber quando a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, responsável pela premiação, dará o braço a torcer e reconhecerá que um filme estrangeiro pode ser (e não raramente é) melhor do que até mesmo os melhores filmes americanos do ano.
PARA QUEM VÊ, OUVE E RESPIRA CINEMA.